Entenda a Guerra Sangrenta

Entenda a Guerra de Sangue (Blood War)

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Conheça um dos conflitos mais importantes no multiverso de D&D!

Em nosso segundo artigo a respeito de Baldur’s Gate: Descent into Avernus, nós explicaremos tudo o que você precisa saber sobre a Guerra de Sangue (ou Guerra Sangrenta), uma batalha milenar entre demônios e diabos.
Se você não viu nossa primeira postagem sobre Avernus, a 1ª Camada do Inferno, clique aqui para lê-la. Muitas das informações que citarmos nessa postagem farão referência ao conteúdo já apresentado em nosso Blog!

Mas antes, você já conferiu nossa página de promoções? Apenas lá você encontrará as principais promoções de RPG do Brasil – como por exemplo, a edição nacional do Tome of Beasts por R$ 150! São 400 novos monstros para D&D 5ª edição!

Entenda a Guerra de Sangue
Créditos: Wizards of the Coast

Briefing

“É dito que a história é escrita pelos vencedores, que ficam com a responsabilidade de apresentar o passado com o enfoque que melhor entenderem. Mas o que acontece quando nenhum vencedor dá um passo para frente, ou pior: quando um punhado de forças clamam o direito de registrar a história?”

Introdução da caixa Hellbound, the Blood War.

A Guerra de Sangue é um conflito iniciado há milênios atrás, mas poucas pessoas sabem o real motivo do confronto. Uma teoria apresentada no livro Hellbound, the Blood War diz que a batalha começou pouco tempo após a criação de demônios e diabos.

Nessa teoria, logo após se habituarem em seus respectivos planos natais, ambas as raças começaram a empregar alguns grupos de exploradores para mapear os planos ao redor – até que os grupos se encontraram. A filosofia antagônica dos dois lados imediatamente deu início a um conflito, o que os levou para uma guerra que dura até hoje.

Uma outra teoria (já desmentida pelo livro Mordenkainen’s Tome of Foes) dizia que o conflito iniciou após Asmodeus (principal arquidiabo dos Nove Infernos) ter roubado um fragmento de uma semente que fica no coração do Abismo – e esse fragmento transformou-se no Cajado de Rubi. Os demônios, enfurecidos, rumaram aos Nove Infernos para recuperar o fragmento utilizado.

Todavia, o livro Mordenkainen’s Tome of Foes diz que o Cajado de Rubi foi dado a Asmodeus por Primus, o líder dos modrons do plano de Mecânos (Mechanus), após um longo julgamento onde Asmodeus foi acusado pelos anjos do Monte Celéstia de ter realizado inúmeros crimes terríveis.

Nos dias atuais, os demônios realizam boa parte das ofensivas, com objetivo similar àqueles demonstrados pelos vilões de desenhos animados: dominar o multiverso. E como veremos a seguir, não há lugar melhor para iniciar a dominação dos planos do que os Nove Infernos.

Os demônios adentram os Nove Infernos de Baator (ou simplesmente Baator) – o plano natal dos diabos – por meio do Rio Estige (River Styx), que conecta o Abismo aos Nove Infernos. E para repelir a invasão, os diabos montam suas defesas nas margens do rio, o que transforma o lugar no principal epicentro do conflito. De vez em quando, os diabos conseguem despachar algumas tropas pelo mesmo rio, levando a concentração do conflito para as margens do Rio Estige no Abismo – lar dos demônios. Hoje em dia, raramente os combates se estendem para outros locais do multiverso.

Em outros tempos, o plano negativo de Carceri, o Caos Elemental e Oinos, a primeira camada virulenta do plano de Hades, foram os principais campos de batalha da Guerra de Sangue.

Quando um lado do embate acredita que tomou a vantagem em um dos locais onde o conflito ocorre, outro ambiente acaba por ficar desprotegido – e ele é imediatamente atacado, transformando a batalha em uma grande dança por posições vantajosas.

Diversos mortais entram nessa valsa, sendo atraídos por poderes que apenas os ínferos podem conceder. Em troca de tamanho poder, ambos os lados da guerra adquirem as almas dos meros mortais após a morte, o que gera mais combatentes imortais para a Guerra de Sangue. Enquanto os diabos enxergam esse processo como uma cláusula contratual que está sendo cumprida, os demônios enxergam os mortais como ovelhas prestes a serem abatidas pelos lobos.

Existem algumas teorias que tentam explicar o porquê da guerra se chamar Guerra de Sangue: uma delas diz que o Rio Estige é banhado com o sangue das criaturas mortas no combate. Outra diz que as águas carmesins do Rio Estige são como veias que fazem o conflito circular por todos os Planos Inferiores.

Criaturas da Guerra Sangrenta
Tropas aliadas desembarcando na Normandia durante o Dia D…
Ops, legenda errada!

O mais interessante é que alguns manuscritos antigos teorizam que demônios e diabos derivam de um mesmo tipo de criatura, os Yugoloths. Na busca pela perfeição, os Yugoloths tentaram expurgar a natureza leal e caótica de sua raça, e obtiveram sucesso nessa tarefa, criando descendentes sem nenhum dos dois traços. Os Yugoloths que permaneceram com o traço leal rumaram para Os Nove Infernos (dando origem aos diabos), enquanto que os Yugoloths caóticos partiram para o Abismo (dando origem aos demônios).

Devido a esse histórico, diversos sábios consideram que a Guerra de Sangue é, na verdade, uma batalha entre a lei e a ordem.

Os Demônios

Como um vírus, o primeiro lugar escolhido pelos demônios para infectar com a sua corrupção foi os Nove Infernos. Existem dois motivos óbvios que os levaram a tomar essa decisão:

  • Ora, são diabos: Quem, em sã consciência, apoiaria os diabos em uma guerra? Se a sua resposta for ninguém, acertou!
    Os demônios estão cientes disso (porque é algo recíproco para com eles) e, desde então, atacam Avernus com unhas e dentes.
  • Antes eles do que nós: Atacar outro plano que não seja os Nove Infernos abre espaço para que os diabos ataquem as camadas infinitas do Abismo. Combater em dois lugares diferentes ao mesmo tempo poderia significar a derrocada dos Tanar’ri (outro nome pelo qual os demônios são chamados).

Em combate, os tanar’ri são caóticos, imprudentes e selvagens, não se importando com o seu desfecho no combate. E essa imprudência tem um motivo: após morrerem, os demônios retornam para as suas respectivas camadas no Abismo após algum tempo (a página 26 do Mordenkainen’s Tome of Foes explica a imortalidade dos demônios). E após ressurgirem, eles partem para o combate de novo e de novo…

Diversos portais espalhados pelas mais de 660 camadas do Abismo são ligados até a 1ª camada do Abismo, o que garante aos demônios uma rápida reposição de tropas.

Os demônios chegaram a construir uma embarcação aérea titânica que possui a capacidade de trafegar por entre os planos, com a finalidade de facilitar o transporte das tropas até Avernus. Mas as naves foram empregadas em outras tarefas – desde incursões até o plano material até combater outros demônios em diferentes camadas do Abismo.

Bel – ex-suserano de Avernus – dizia que a derrota dos diabos nessa guerra “era inevitável e pura questão de tempo”, o que pode ter feito com que ele fosse deposto de seu cargo por Asmodeus. Desde então, ele é conselheiro de Zariel, a arquiduquesa de Avernus.

Uma característica dos demônios é a corrupção: após ficar durante determinado em uma região, todo o ambiente é corrompido pela energia emanada pelas criaturas corrompidas, transformando-as em células do Abismo (algo bastante similar ao que ocorre com os Zergs no jogo eletrônico Starcraft). Por isso, é importante para todo o multiverso que os diabos mantenham Avernus em suas mãos.

Os Diabos

É engraçado dizer isso, mas os diabos são as vítimas nessa situação.

Após o epicentro do conflito migrar para Avernus, o lugar se tornou um verdadeiro caos: os diversos edifícios que haviam nas margens do Rio Estige foram destruídos em decorrência da guerra, o que transformou grande parte da camada em um lugar arruinado e inóspito.

Diferente dos demônios, os baatezu (outro nome para se referir aos diabos) não possuem a imortalidade ao seu dispor. A única “exceção” são os lemures – criaturas que erguem-se após as almas malignas de mortais serem confinadas nos Nove Infernos pela eternidade. Então, para evitar perdas, os diabos usam diversos artifícios para conter a invasão demoníaca – desde armadilhas posicionadas estrategicamente em toda a margem do rio Estige, máquinas de cerco e outras artimanhas.

Os Lêmures possui um formato similar a um humanoide deformado. Eles são as “buchas de canhão” dos diabos. Créditos: D&D Beyond/Wizards of the Coast.

A inferioridade numérica dos diabos (às vezes, a desvantagem é de 1 diabo para 20 demônios) é compensada pelas estratégias aguçadas, equipamentos aprimoramentos e um profundo conhecimento do plano de Avernus. Uma das táticas empregadas pelos diabos em combate é incendiar o campo de batalha, usufruindo de sua imunidade, e realizar emboscadas em terrenos favoráveis para os atacantes. Entretanto, esses esforços podem não ser o suficiente…

Por isso, os diabos frequentemente contratam aventureiros mortais para batalhar ao seu lado na grande guerra. Se eles forem de grande valia para os diabos, eles são amplamente recompensados pelos baazetu e até mesmo são aceitos no meio da comunidade infernal.

Os baatezu que não gozam do privilégio da imortalidade recuam imediatamente da batalha quando se encontram gravemente feridos (inclusive, utilizando-se de magias, caso necessário), cientes de que hordas e mais hordas de lêmures irão servir de “bucha de canhão” enquanto se recuperam. Um diabo só se sacrifica (ou sacrifica o grupo que comanda) em batalha caso o resultado dessa ação seja extremamente positiva para os diabos.

Os diabos ficaram ressentidos ao notar que ninguém os apoiariam durante a guerra. Para eles, o multiverso já teria sido dominado pelos tanar’ri caso eles não estivessem resistindo bravamente à invasão. Asmodeus (arquiduque de Nessus e aquele que comanda todos os outros diabos) possui planos para punir os seres celestiais após a vitória dos baazetu na guerra.

Trivia: Algo interessante de se notar é que, até a 4ª edição de D&D, os diabos eram imortais enquanto estivessem nos Nove Infernos. Isso foi alterado na 5ª Edição: apenas os Lêmures possuem essa habilidade.

A Hellfire Engine é apenas um dos construtos usados pelos baazetu.
Créditos: Wizards of the Coast.

O Rio Estige e o motor da guerra

Como frisamos em nossa primeira postagem, o Rio Estige é um longo conduíte, que liga todos os planos conhecidos como planos negativos.

Fazendo uma metáfora, o Rio Estige é como uma grande linha de metrô que possui sete estações: Acheron, os Nove Infernos, Gehenna, Hades, Carceri, o Abismo e Pandemonium. Ou seja: se você quiser ir de Acheron para Carceri, basta pegar um metrô e você chegará lá.

O Rio Estige é uma das poucas formas que as criaturas do Abismo possuem para chegar aos Nove Infernos (e vice-versa). Ou seja: a guerra só existe porque esse rio liga ambos os planos (guardem essa informação). Os demônios alados não possuem problemas em chegar até Avernus, mas as tropas terrestres (boa parte das tropas demoníacas) precisam navegar pelo rio para chegar até Baator.

Todavia, navegar pelo rio é uma verdadeira aventura: o rio é muito turbulento e possui diversos afluentes, que podem levar até locais indesejados. E como se isso não bastasse, a exposição à água carmesim do rio pode fazer com que você perca a memória. E é aí que os Yugoloths, os verdadeiros motores da guerra, entram em cena.

Os Yugoloths são ínferos (como os demônios e diabos) que são movidos apenas pela ganância e avareza, atuando muitas vezes como mercenários. Uma informação no Livro dos Monstros da 5ª Edição deixa isso bem claro.

“Antes de escolher servir a bandeira de alguém, um Yugoloth pergunta a única questão em sua mente: o que haverá para mim?”.

E entre todos os tipos de Yugoloths, existe um em específico que é capaz de navegar nas águas do Rio Styx: os Merrenoloths.

Créditos: Wizards of the Coast

Esses barqueiros possuem habilidades especiais que permitem que eles naveguem pelo Rio Estige sem muitos problemas. Eles são contratados por demônios e diabos por grandes quantias de ouro, transportando verdadeiras hordas do Abismo até Avernus e vice-versa. E devido a sua natureza mercenária, eles podem facilmente quebrar suas promessas, agindo em prol do “lado inimigo” se a quantia a ser paga for maior do que o valor oferecido pelos atuais aliados. E eles nunca aceitam um contrato que os proíbam de fazer isso.

Isso faz com que ambas as legiões andem com grandes quantias de ouro, na esperança de comprar esses mercenários no meio da batalha (e fazendo com que a onda vire ao seu favor). Os dois grupos antagônicos promovem esforços para tentar identificar as criaturas que andam com o dinheiro para comprar a confiança dos Yugoloths, tentando abatê-los assim que identificados.

Obter o ouro inimigo concede uma grande vantagem no combate e permite que mais Yugoloths sejam comprados.

Você pode estar se perguntado: tá, mas porquê um Yugoloth iria se expor em uma guerra tão violenta e em um ambiente tão hostil como Avernus?

A resposta é simples: todos os Yugoloths renascem em Gehenna (seu plano natal) ao morrerem em outros planos de existência. Um Yugoloth só morre definitivamente ao ser morto em seu plano natal, mas ainda assim há formas de ressuscitá-los por meio de rituais.

Essa característica transforma os Yugoloths em excelentes mercenários, aceitando qualquer tipo missão e não se preocupando com a sua exposição ao perigo. Outros tipos de Yugoloths (como os ultroloths) também são contratados por ambos os lados da guerra.

Ultroloth D&D
Os Ultroloths. Imagem encontrada no Twitter, @Jetpack7.
Créditos: Conceptopolis/Wizards of the Coast

Dito tudo isso, o controle do Rio Estige é importantíssimo para ambos os lados da guerra e as principais batalhas ocorrem em suas margens. São raríssimas as vezes onde uma das legiões conseguem avançar além do rio, a se destacar o caso onde as tropas demoníacas quase alcançaram Dis (a segunda camada de Baator) por um movimento errado de Mephistopheles (o Mordenkainen’s Tome of Foes explica essa história com detalhes).

A guerra que já terminou

A Guerra de Sangue voltou com tudo na 5ª Edição, mas isso não era verdade da 4ª edição de Dungeons & Dragons. Isso porque a guerra simplesmente acabou após os eventos cataclísmicos que deram início à 4E!

Para explicar esse término, precisamos voltar um pouco no tempo e explicar o que aconteceu em 1385, O Ano da Chama Azulada. Senta que lá vem história!

A Praga Mágica

A praga mágica foi uma verdadeira catástrofe que ocorreu em decorrência do assassinato da divindade Mystra (deusa da magia) pelas mãos de Cyric (deus das mentiras). Até tal época, havia uma teoria bastante difundida que dizia que a magia só existia porque a deusa Mystra administrava a trama mágica. E essa teoria provou-se verdadeira após a sua morte.

Assim que Mystra foi assassinada, toda a trama mágica se rompeu, o que gerou uma catástrofe imensurável: reinos perdidos voltaram a aparecer em Toril; fendas para o subterrâneo foram abertas; cidades ficaram submersas após a crescente das marés; vulcões dormentes despertaram (o que destruiu Neverwinter); o mundo irmão de Toril, Abeir, reapareceu e se fundiu ao seu irmão, sobrepujando diversas áreas do atual mundo; planos de existência foram destruídos; deuses foram mortos e, por fim, pessoas foram teleportadas para locais inconvenientes…

E um dos deuses azarados que foram teleportados foi Azuth, Deus dos Magos, que literalmente caiu no colo do capeta Asmodeus. O arquidiabo não perdeu tempo e o assassinou, consumindo sua essência divina e elevando-se ao status de Deus Maior.

Sendo um ser divino, Asmodeus não perdeu tempo: usando seus novos poderes, ele tratou de mover o Abismo de lugar, selando-o ao fundo do Caos Elemental. Você se lembra que, anteriormente, citamos que a guerra só existia porquê ambos os planos estava ligados ao Rio Estige, que, por sua vez, era ligado em todos os planos negativos?

Pois bem…

Com a remoção do Abismo para longe dos planos negativos (e até mesmo dos planos exteriores), os demônios não possuíam maneiras para se conectarem aos Nove Infernos, o que deu fim a guerra. O Rio Styx continuou fluindo pelo Abismo, mas os todos os destinos para qual ele levava estavam localizados no Mar Astral.

Até hoje, ninguém sabe como o Abismo voltou a fazer parte dos planos negativos, e muito menos o porquê de Asmodeus ter perdido seu status de divindade, voltando a ser “apenas” um arquidiabo. E esse é apenas um dos buracos deixados pela 4ª Edição…

O Demonomicon da 4ª Edição apenas menciona que “inesperadamente, os séculos mais recentes viram a batalha sem fim evoluir para um estado de trégua sombria”.

Por fim, o livro The Plane Below: Secrets of the Elemental Chaos menciona que, no findar da guerra, Asmodeus construiu fortalezas no Abismo, no Plano dos Mil Portais, mas os diabos conseguiram se aprofundar em outras camadas. O que importa é que a guerra voltou a ativa, e com as informações acima, você já sabe tudo sobre essa guerra “quase” eterna!

Referências

Todos os livros usados para criar essa postagem estão listados abaixo. Lembrando que a ordem dos livros está organizado dos mais recentes para o mais antigo – os conteúdos mais recentes possuem maior relevância por estarem atualizados;

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