A Pirataria no RPG

RPG e pirataria: o que as editoras fazem para combatê-la?

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Todos nós concordamos que pirataria é um problema. Mas o quanto que as editoras contribuem para o problema?

Em abril de 2018, um grande baque abateu uma parcela da comunidade de RPG: uma das maiores comunidades de pirataria de RPG no Facebook foi desligada após denúncias realizadas por algumas editoras. Muitos ficaram histéricos e comemoraram a queda da comunidade, enquanto outros demonstraram abatimento pelo ocorrido. Mas no final, o que importa é que, entre mortos e feridos, salvarem-se todos – com exceção do grupo de pirataria – esse está morto e enterrado.

Entretanto, esse acontecimento nos fez questionar algumas atitudes realizadas por editoras para inibir a pirataria de seus livros nas redes sociais. Fizemos uma grande reflexão sobre o ocorrido e gostaríamos de fomentar o debate por meio dessa postagem.

Mas antes, você já conferiu nossa página de promoções? Apenas lá você encontrará as principais promoções de RPG do Brasil – como por exemplo, a edição nacional do Tome of Beasts por R$ 150! São 400 novos monstros para D&D 5ª edição!

RPG e Pirataria: o que as editoras fazem para combatê-la?
Será que todo mundo tem “culpa no cartório” quanto a pirataria?
Ilustração de domínio público disponível no PXHere

Porque a pirataria ocorre?

Antes de entrarmos no assunto pirataria, é necessário deixarmos alguns disclaimers antes de entrarmos no assunto:

  • Nosso portal é contra a pirataria – inclusive, concentramos grande parte de nossos esforços ultimamente para inibir a pirataria, seja demonstrando cotações de livros em diversas lojas para que você compre seu livro de RPG com o melhor preço ou disponibilizando uma série de materiais gratuitos.
  • Seu dinheiro é seu, e nossa intenção jamais será determinar onde você deve gastá-lo ou não. Você e seus responsáveis são os únicos que poderão determinar onde você deverá gastar a sua grana. Nosso papel aqui é apenas fornecer dados e trazer reflexões.

Voltando ao assunto, a pirataria no RPG normalmente ocorre por quatro motivos:

  • Indisposição a comprar livros: Esse é o cara que até pode gozar de certo poder aquisitivo, mas ele não enxerga a compra de livros de RPG como algo proveitoso ou como algo que vai lhe trazer algum tipo de retorno (seja financeiro ou intelectual) – e por isso, a pirataria é uma opção válida. Embora ele faça parte do público de RPG, ele nunca será o público-alvo das editoras, já que o mesmo se faz inacessível.
  • O sem dinheiro: Nesses casos, o usuário até possui a vontade de comprar livros de RPG, mas sua vontade não está de acordo com sua situação financeira atual. Sendo assim, para não deixar de jogar os jogos mais jogados pela galera, ele enxerga a pirataria como uma opção viável para se manter no hobby. No entanto, quando sua situação financeira melhorar, ele poderá adquirir o jogo sem nenhum tipo de contestação de sua parte.
  • O testador: O testador é aquele que pode gozar ou não de certo poder aquisitivo, mas ele não está disposto a investir em um livro antes de saber se a compra vale a pena ou não. Por isso, ele opta pela pirataria para fazer uma espécie de test-drive antes de adquirir o produto. Ou seja, ele comete a pirataria, mas adquire o produto caso ele goste.
  • Custo x Benefício: O quarto motivo para pirataria é o que marcou o Brasil no início dos anos 2000, com o lançamento do DVD. Os CD’s originais eram absurdamente caros (aqui em Santos, cada DVD R$ 30,00 nas lojas, numa época que o salário mínimo era mixaria). Quando a infraestrutura de internet começou a avançar e o pessoal que entendia de informática viu que era possível pegar esse conteúdo do CD e gravar em uma mídia virgem, a galera surtou com a ideia de pagar R$ 10,00 em cinco DVDs em vez de pagar R$ 30,00 em um único CD.

Isso é o que chamamos de Custo x Benefício: Qual o valor que o cliente vê no produto adquirido?

Antigamente, o pessoal conseguia ver algum valor no produto porque não haviam produtos substitutos no mercado a um custo menor, mas quando a pirataria surgiu, os produtos originais perderam valor para o cliente. Atualmente, apenas fãs compram CD como forma de incentivar seus ídolos.

O lado bom da pirataria nos RPG’s

A pirataria é um problema para as editoras, mas ele traz benefícios para o hobby RPG à curto e médio prazo.

Isso porque a pirataria torna o RPG mais acessível: livros que custam mais de R$ 100,00 podem ser obtidos gratuitamente e permite que as pessoas narrem esses sistemas. Com mais gente narrando, mais gente jogando. E, se novatos forem trazidos para o hobby por conta da pirataria, ela poderá contribuir para a compra de livros físicos (dependendo de seu poder aquisitivo), assim como ele pode contribuir com a proliferação do hobby narrando para outras pessoas.

O lado ruim da pirataria nos RPG’s

Porém, coisas boas não anulam ou cancelam coisas ruins. Pirataria é algo muito danoso ao cenário.

Isso porque ele afeta a economia das editoras, que é uma das principais responsáveis por trazer livros e cenários para terras tupiniquins. O primeiro impacto da pirataria é claro: ela inibe vendas. E sem vendas, isso cria um efeito chicote imenso, explicado pelo infográfico abaixo:

O problema da pirataria do RPG
Os problemas que a pirataria introduz no mercado

Quando falamos sobre os motivos para a pirataria ocorrer e suas consequências, ficou claro que as editoras são as principais prejudicadas pela proliferação da pirataria. No entanto, engana-se quem pensa que elas, editoras, não possuem sua responsabilidade nos casos de pirataria em grupos de Facebook, e em muitas vezes, ela própria é o principal fator da pirataria ocorrer. Três fatores comprovam tal frase.

Preços abusivos

Atualmente, grande parte das vendas realizadas pelas editoras ocorrem por meio de Financiamento Coletivo. No entanto, a plataforma de financiamento é mal utilizada e está sendo utilizada para a realização de pré-venda por parte das editoras. As metas (sempre em PDF) ajudam a camuflar o real valor dos livros adquiridos nessa modalidade.

Fato é: existem alguns casos onde o consumidor – aquele que viabiliza o projeto – paga cerca de 300% a mais que o comerciante!

Tem dúvidas destes números? Basta você acessar as mais diversas páginas de Financiamento Coletivo no Catarse.

Com o preço de aquisição tão alto, é óbvio que isso cria um ambiente propício para a pirataria (assim como o alto preço do DVD original propiciou nos anos 2000). Como se isso realmente não bastasse para contribuir com a pirataria, outros fatores relacionados à incompetência das editoras minam a quantidade de vendas e fomentam a pirataria. São eles:

  • Atrasos decorrentes;
  • Falta de informações;
  • Falta de clareza;
  • Falta de revisões, onde o próprio comprador precisa revisar o conteúdo do livro.

A famigerada Licença

Uma das pessoas que comentaram em nossa publicação (desculpe por não creditá-la, o post foi apagado) informou que a licença poderia ser o motivo do encarecimento dos livros. Ledo engano:

A licença se transforma em custo de produção para a organização, logo, ela é inserida no valor do produto. Ou seja, quando você ver um livro em Financiamento Coletivo com custo de produção à R$ 40,00 e valor de venda à comerciantes por R$ 56,00, o valor da licença já está inserido neste preço.

Isso porque o valor da licença não depende da quantidade de livros vendidos – o valor é fixo. Logo, quanto mais vendas ocorrerem, mais pulverizado o valor da licença.

Por exemplo, suponhamos que o valor de licença é de US$ 3.000 – R$ 15.360,00 atualmente. Se a editora conseguir vender 1.000 livros, o valor de licença por produto é de R$ 15,36, um valor relativamente baixo.

“Ah, mas se a licença custa R$ 10 e o livro custa R$ 40 para ser produzido, é impossível fazer um livro com esse valor”.

Cabe ressaltar que livros são isentos de impostos, e as gráficas oferecem bons descontos em grandes quantidades. Afinal, quem não quer faturar 1.000 livros com capa dura?
Com gráficas, o custo por página é muito baixo, e talvez a parte mais cara do livro seja a capa dura, mas isso é mera suposição.

Cobrança de PDF’s

Após o documento diagramado, é tarefa simples convertê-lo para PDF. Isso torna o PDF um produto com custo baixíssimo para quem produz – e que, por isso, poderia vendê-los a preços muito convidativos, o que ajudaria a divulgar seu produto e combateria diretamente a pirataria.

No entanto, não é isso que acontece: existem casos que PDF’s são cobrados por insanos R$ 40,00 ou mais, desincentivando a compra e fomentando ainda mais a pirataria. O jogo Goddess Save the Queen, um RPG de criação nacional, está sendo vendido por R$ 46,90, quase o mesmo valor de um PDF!

Me soa como se a venda de PDF’s tivesse se tornado dentro das editoras o core business do negócio, e não um incremento de vendas.

Incentivo à Compra

Algo de que nos orgulhamos muito nos últimos tempos é nosso trabalho em tentar ajudar o consumidor de RPG a pagar barato nos seus livros (que você pode clicar aqui para saber mais).

Agora, uma informação importante: neste período de quase três anos que estamos fazendo o trabalho de cotar preços, você saberia dizer quantas promoções realizadas por editoras nós vimos nesse período?

Existem editoras que não realizaram mais que 20 promoções em um período de três anos!

Ou seja: as editoras querem combater a pirataria, mas não pratica o mínimo de esforço para incentivar a compra de seus produtos, o que é algo bem triste para o cenário. Não adianta nada combater a pirataria no local onde ela ocorre: deve-se combatê-la em sua origem, ou seja, dentro de cada editora. Mas você sabe porque isso não é feito?

Porque dói no bolso da editora! Para elas, oferecer promoção 1x por ano na Black Friday já é o suficiente, como se isso simbolizasse que ela está fazendo sua parte!

É claro que existem exceções: A Retropunk, por exemplo, oferece PDF’s gratuitamente em datas comemorativas, como o Dia Nacional do RPG e o aniversário da Editora. Mas novamente, são exceções.

Fazendo um paralelo com os anos 2000 no Brasil, a situação é similar as Gravadoras, que reclamavam da pirataria e pediam reforços na fiscalização, mas continuavam a vender seus CD’s por R$ 30,00. Ou seja, no final, não adiantava nada! Combatia-se a pirataria em um local, e ela ressurgia em outro ponto.

O que se pode fazer para inibir a pirataria?

Achamos que de nada adianta criticar sem, no final, oferecer dicas e ajuda para as editoras combaterem a pirataria da maneira correta. Nossa equipe listou alguns pontos para melhoria das editoras e assim, contribuir com o RPG nacional. São eles:

  • Cobrar valores justos pelo PDF dos livros, incentivando a compra de um produto que possui custo de produção ínfimo;
  • Incentivar a compra de seus produtos, oferecendo promoções regulares (algo que toda e qualquer empresa deveria fazer);
  • Oferecer quickstarts ou fastplay gratuitos que permita que mestres e jogadores possam usufruir de um jogo de verdade (ou seja, construindo personagens, usando um conjunto de regras básicas, etc). Isso é um marketing positivo para o produto e incentiva diretamente a compra de seu material;
  • Aliado a isso, divulgação é essencial. O marketing de editoras se resume a publicar em suas páginas e grupos de RPG.

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