Raças Abolidas em Dungeons & Dragons

D&D: Wizards of the Coast pretende extinguir o termo “raça”!

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A empresa manifestou seu desejo ontem (01)!

A Wizards of the Coast, detentora de Dungeons & Dragons, deu um importante passo para tornar a quinta edição do maior RPG do mundo ainda mais inclusivo: o estúdio manifestou o desejo de extinguir o termo “raça”!

Abaixo, você pode conferir a publicação oficial do D&D Beyond (adquirida recentemente pela Wizards of the Coast), traduzida para o nosso idioma:

Dungeons & Dragons possui uma história de envolver e atender as necessidades de nossos jogadores e fomentar um espaço convidativo para todos.

Com isso em mente, nós entendemos que o termo “raça” é problemático e que traça elos prejudiciais entre as pessoas do mundo real e as pessoas fantásticas dos mundos de D&D. O uso do termo através de D&D e outras propriedades intelectuais evoluiu ao decorrer do tempo. Agora é a hora para a próxima evolução.

Desde o lançamento da quinta edição de Dungeons & Dragons, em 2014, nós tomamos a decisão consciente de reduzir o uso do termo “raça”, para que este se aplique apenas em mecânicas de jogo. Demos um passo além com o lançamento de Tasha’s Cauldron of Everything em 2020, quando apresentamos uma forma alternativa de criar personagens que desatrela aumentos no valor de atributo da escolha do povo jogável. Nós também evoluímos a história destes povos através do multiverso de D&D, sendo diligentes em remover tendências e estereótipos inconscientemente prejudiciais.

One D&D (o código para a próxima geração de D&D) nos dará a oportunidade para ir mais além em todos os componentes de Dungeons & Dragons. O imenso interesse e nível de feedback dados através de nossos primeiros playtests nos mostrou o valor em manter um diálogo aberto com nossa comunidade sobre tudo o que está relacionado com o jogo.

Na próxima Unearthed Arcana contendo materiais de teste para One D&D, nós estaremos apresentando uma substituição ao termo “raça”. O novo termo é “espécie”.

Nós sabemos que esta é uma importante mudança para D&D – uma que requer uma conversa aberta com nossa comunidade. E nós queremos deixar claro algumas coisas conforme testamos este novo termo.

  • Nós tomamos a decisão de deixar de utilizar o termo “raça” em One D&D, e não temos a intenção de retornar a usá-lo.
  • O termo “espécie” foi escolhido em coordenação com múltiplos consultores culturais de fora da Wizards of the Coast.
  • Na pesquisa para esta Unearthed Arcana, que estará disponível a partir do dia 21 de dezembro, jogadores poderão tecer suas considerações sobre o termo “espécie”, além de tudo o que estiver presente nos materiais de teste.

Ter uma conversa aberta sobre o termo “raça” é tanto importante, como desafiador. É por isto que é vital nutrirmos um diálogo aberto, compreensivo e positivo uns com os outros. Nós acolhemos opiniões construtivas nesta evolução e em muitas outras evoluções de One D&D – é isso que torna este jogo animador, aberto e acessível para todos. Dragões e elfos pertencem ao nosso mundo. Você também.

Publicação da Wizards of the Coast sobre o termo “raça”, disponível no D&D Beyond.

A polêmica questão sobre “raça” é antiga nos RPGs, mas começou a se tornar um assunto mais recorrente a partir de 2018, especialmente em Dungeons & Dragons. Enquanto escrevíamos esta publicação, lembramos de um tweet onde Jeremy Crawford (designer de regras de Dungeons & Dragons) era questionado “como Dungeons & Dragons é um jogo que atua contra o racismo enquanto usa termos como, por exemplo, características raciais?”.

Como mencionado no texto, a nova Unearthed Arcana, intitulada Cleric & Revised Species, já altera o termo “raça” para “espécie”. O documento está disponível no link abaixo:

A alteração, contudo, era esperada: desde 2019, a empresa detentora de Dungeons & Dragons toma medidas para reduzir visões preconceituosas acerca das espécies: O povo vistani, presente em Ravenloft, foi alterado por conta da outrora associação com o povo romani; a descrição dos drows também foi alterada por conta de associações com o mundo real; e mesmo os alinhamentos foram removidos quando se trata de criaturas e NPCs.

Ainda assim, o estúdio comete erros gritantes, como por exemplo, a terrível descrição do povo Hadozee (símios antropomorfos com pequenas asas para planar) apresentada em Spelljammer: Adventures in Space.

A alfinetada

Enquanto os desginers da Wizards of the Coast batem cabeça no escritório para encontrar um bom termo para substituir “raça”, a Paizo Publishing – editora responsável por Pathfinder e Starfinder – aproveitou o ataque de oportunidade para dar uma alfinetada em seu principal rival.

Ontem (01), nas redes sociais da editora, o social media manager do estúdio de Washington dedicou parte do seu tempo a explicar o porquê de usar os termos espécie (no RPG sci-fi Starfinder) e ancestralidade (em Pathfinder) em vez do termo raça ou racial.

Starfinder usa o termo “espécie” em vez de “raça” ou “racial” para os propósitos de criar um personagem, características de espécies jogáveis, tipos de bonificações e elementos de regras similares – esta mudança não afeta mecânicas e se aplica a todos os produtos de Starfinder.

Em Pathfinder, sua ancestralidade determina com seu povo se autodenomina, seja ele os diversos e ambiciosos humanos, os vivazes e insulares elfos, os anões tradicionalistas e voltados para a família ou qualquer outro povo que faz de Golarion seu lar.

Tweet da Paizo.

A empresa, por fim, fez questão de ressaltar o excelente trabalho realizado pela Archives of Nethys, que transporta todo o conteúdo da SRD de Pathfinder e Starfinder para um site, no formato de wiki. Você pode ver a wiki no link abaixo.

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