Desta vez, o uso de Inteligência Artificial em D&D não está relacionado com artes!
Depois de entrar em duas grandes encrencas devido ao uso de artes criadas por Inteligência Artificial (IA), o CEO da Hasbro, Chris Cocks, se mostrou otimista quanto ao uso da Inteligência Artificial em conjunto com o maior RPG do mundo!
Contudo, ao que tudo indica, este uso não está relacionado com o uso de artes desenvolvidas por Inteligência Artificial — como ocorreu no livro Bigby Presents: Glory of the Giants. A gigante dos brinquedos, neste momento, está “testando produtos” desenvolvidos em conjunto com a IA, conduzindo experimentos a cada bimestre ou trimestre.
Um exemplo bem sucedido do uso de IA é o tabuleiro Ouija virtual, criado pela Hasbro em conjunto com a IA em comemoração ao Halloween. Apesar de ter ficado disponível por alguns poucos dias, a Hasbro considera a experiência um sucesso.

Chris Cocks e Inteligência Artificial em D&D
Durante a entrevista, Chris Cocks respondeu a questão sobre a possibilidade da Hasbro alimentar uma LLM (Large Learning Machine). Esta é uma Inteligência Artificial capaz de aprender conteúdos baseados em um banco de dados). A ideia seria alimentá-la com conteúdos de suas propriedades intelectuais.
Resposta de Chris Cocks à VentureBeatEm primeiro lugar, nós estamos realizando esforços na área de R&D (Research & Development, ou Pesquisa & Desenvolvimento) acerca da AI. Acredito que as principais redes de entretenimento e propriedades intelectuais estão levando isso em consideração. A chave aqui é o seu uso responsável. Nós temos que atingir uma barra ainda mais alta, se comparada aos demais competidores, por atendermos audiências de todas as idades. Nós partimos da pré-escola até adultos. Não acredito que devemos ser arrogantes acerca de como pensamos sobre a IA. Dito isso, é animados. Há muito potencial para audiências empolgadas.
A vantagem que temos — é engraçada. Esta é uma tecnologia de ponta, e a Hasbro é uma companha centenária, o que normalmente te faria pensar se existe uma ameaça (acerca da IA). Mas quando você faça sobre a riqueza das histórias e a profundidade das marcas — D&D possui cinquenta anos de história que podemos minerar. Literalmente há milhares de aventuras que criamos e milhares de milhões de palavras que possuímos e são passíveis de aproveitarmos. Magic: The Gathering existe há cerca de 35 anos, e há mais de 15.000 cartas que poderíamos aproveitar desta forma.
Nós podemos aproveitar tudo isso para criar usos atraentes e interessantes para a IA trazer nossos personagens à vida. Nós podemos criar ferramentas que auxiliem na criação de conteúdo para usuários ou para criar cenários gamificados realmente interessantes ao redor (da IA).
Lições aprendidas
Contudo, a palavra mais usada por Chris Cocks ao longo do assunto IA é “respeito”. Escaldado após as polêmicas com Inteligência Artificial e o fracasso com os movimentos contra a existência da Open Game License (OGL) como a conhecemos, o executivo pregou respeito para com o ecossistema onde a editora está inserida.
“Nós precisamos ter certeza que faremos isso de uma forma que respeite os criadores que trabalhamos em conjunto, respeite os trabalhos artísticos, respeite os direitos autorais destes trabalhos e que crie um ambiente divertido e seguro para as crianças que usarem”.
Chris Cocks, CEO da Hasbro
Por fim, o executivo mencionou que utiliza ferramentas de Inteligência Artificial em suas campanhas de Dungeons & Dragons.
Eu uso IA para criar minhas campanhas de D&D. Eu jogo D&D três ou quatro vezes por mês com meus amigos. Eu sou horrível produzindo artes. Eu não comercializo nada que crio. E isso não tem nada haver com meu trabalho. Mas o que sou capaz de atingir com o criador de artes do Bing ou conversando com o ChatGPT…isso realmente encanta meus amigos de meia-idade quando eu crio uma campanha no Roll20 ou no D&D Beyond. Eu também crio alguns PowerPoints e o coloco na TV, além de usar mapas interativos.
Chris Cocks, CEO da Hasbro
Esta publicação foi desenvolvida em conjunto com a entrevista de Chris Cocks para o portal VentureBeat.
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Façamos cara de “Pikachu surpreso”, pois uma declaração semelhante já havia sido feita antes do escândalo da OGL. Naquela matéria o eixo central foi a possibilidade de aumentar a monetização sobre a PI D&D, mas, nas bordas da conversa já haviam citações ao uso de IA. Na época ventilou-se a possibilidade de um narrador emulado sendo rascunhado pela WotC.
Até onde é teoria da conspiração e até onde é verdade, não sei. É uma proposta difícil à curto prazo, mas na cauda longa, seria uma forma da Hasbro ganhar mais um pouquinho.