Green Ronin enfrenta problemas com a Diamond Comics Distributors!

A editora corre o risco de perder milhares de dólares em ativos!

Uma grande confusão toma conta da comunidade internacional (em especial, no mercado estadunidense). Entenda um pouco sobre a polêmica que envolve a Diamond Comics Distributors, distribuidora de HQs e jogos analógicos, e seus antigos parceiros comerciais!


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Entendendo a situação

Em janeiro de 2025, a Diamond Comics Distributors invocou a 11ª emenda estadunidense. Esta emenda é utilizada por empresas e organizações em processo de falência (o que os gringos chamam de bankruptcy).

Diamond Comics Distributors Falência
Na imagem acima, você pode ler mais detalhes (em inglês) sobre a falência da distribuidora!

A Diamond Comics Distributors era de suma importância para o ecossistema de jogos analógicos e comics (histórias em quadrinhos). A distribuidora possuía canais de distribuição espalhados mundo afora, permitindo que seus parceiros comerciais o acessassem. Ela também tinha parcerias com grandes lojas, como a Amazon e a Barnes & Noble.

Neste momento, a distribuidora já foi vendida para a Universal Distribution LLC e Ad Populum, mas ainda há questões a serem resolvidas, como você verá a seguir.

Scott Thorne, colunista da ICv2 (site de notícias internacional, voltada para o mercado de jogos analógicos), deu mais detalhes sobre o porquê das editoras não escolherem distribuidoras mais atreladas ao hobby.

Por que as editoras de jogo utilizam a Diamond como um distribuidor, em vez de uma distribuidoras dedicadas que servem à indústria dos jogos? Bom, a Diamond lhe fornece acesso à Barnes & Nobles e Books-a-Million, bem como em livrarias públicas através do país, enquanto distribuidoras como Alliance, ACD e Magazine Exchange não atende estes mercados. Ter a oportunidade de comercializar produtos por toda a nação e o potencial de mover milhares de cópias de seus livros provava-se irresistível. Ainda, a Diamond está no mercado há 40 anos, com poucas indicações de que haviam problemas na companhia — até os anos recentes.

Comentário de Scott Thorne sobre o porquê das editoras optarem por usar a Diamond Comic Distributors, para o portal ICv2.
Diamond Comics Bankruptcy
O processo de compra da distribuidora já terminou. Mas os credores ainda aguardam seus pagamentos.

A Paizo, por exemplo, é uma das editoras afetadas pelos novos problemas de distribuição causados pela falência da Diamond. A editora já anunciou, através de seu CEO, Jim Butler, que não conseguirá disponibilizar os lançamentos de agosto e setembro para Pathfinder RPG e Starfinder RPG em grandes lojas.

Este problema pode ser considerado crítico para a editora, que não conseguirá disponibilizar seu grande lançamento do ano nas maiores lojas estadunidenses: a segunda edição de Starfinder RPG, cuja publicação está confirmada para o início de agosto.

Jim Butler, finalmente, indicou que comércios locais receberão os livros da editora como normalmente. Dessa forma, as lojas do hobby (chamadas de FLGS: Friendly Local Game Store) que já compravam itens da Paizo continuarão a receber seus produtos. Portanto, caso tenha esta alternativa, você poderá comprar seus itens em lojas físicas parceiras da Paizo.

Consequências no mercado brasileiro

A comunidade brasileira de RPGs de mesa já teve sua dose de problemas com a Diamond. A empresa era a responsável pela distribuição de publicações da Wizards of the Coast para a Amazon Brasil. Logo, a distribuidora encarregou-se da distribuição da edição 2024 de Dungeons & Dragons para a gigante do mercado digital.

Contudo, os compradores não receberam seus itens, e a Amazon Brasil precisou cancelar os pedidos. Logo, em setembro de 2024, já era possível prever os problemas que a distribuidora estava enfrentando — o que se concretizou quatro meses após, com o pedido de falência.

É provável que até mesmo a Amazon precisou ajustar seu modelo de negócio para lidar com a ausência de uma distribuidora que atendesse ao Brasil. Agora, itens internacionais são comercializados diretamente pela matriz da Amazon, nos Estados Unidos, em vez de disponibilizados localmente. Dessa forma, a Amazon Brasil torna-se apenas uma ponte entre a Amazon-mãe e o consumidor final no Brasil.

Você pode identificar os itens vendidos diretamente pela matriz da Amazon pelo nome de vendedor “Amazon Estados Unidos”.

Onde a Green Ronin entra nesta história?

Falência Diamond Comics
Agora, várias editoras buscam por alternativas para solucionar os problemas de distribuição.

A Green Ronin Publishing comercializou vários de seus itens para a Diamond no formato de venda através de consignação. Este é um formato convencional de negociação (e não apenas no mercado editorial), onde uma organização X entrega os itens de seu estoque para uma loja ou centro de distribuição Y.

A organização X só recebe pelos itens enviados conforme são vendidos pelo ente Y. Normalmente, o ente Y realiza um levantamento mensal para estabelecer tudo o que foi vendido, e com esse número em mãos, realiza o pagamento daquelas unidades para a organização X.

Este tipo de acordo ajuda a esvaziar os estoques da organização X, ao mesmo tempo em que barateia o frete para o ente Y. Ele também impede que o ente Y sofra com a falta de produtos — uma vez que a quantidade em estoque é bastante superior ao fluxo mensal de vendas.

Este modelo, apesar de bem-sucedido, pode gerar alguns problemas — apesar de incomuns. A Diamond Comic Distributors conta com 182 editoras parceiras que comercializam seus itens através do modelo de consignação.

O problema da Green Ronin

Com o pedido de falência da Diamond Comic Distributors, a justiça estadunidense autorizou a distribuidora a liquidar seus estoques, com o intuito de angariar fundos para o pagamento dos credores.

O grande problema é: a maior parte dos estoques da distribuidora não era dela de fato, mas estavam “emprestados” a ela através do formato de consignação explicado acima. A Diamond Comic Distributors estaria liquidando itens que não lhe pertencem. Este movimento da Diamond Comic está se chamando “Inventory Hostage”, ou inventário refém.

O período em que esta confusão ocorre é bastante crítico para a Green Ronin — mas não apenas para ela. A Green Ronin participará da Gen Con no próximo mês — a principal convenção de RPG do mundo. Além de não conseguir comercializar os itens que se encontram com a Diamond, a editora precisará de fundos para ir para a convenção e ainda pagar por advogados para tentar reverter este quadro.

Devemos considerar, ainda, que a liquidação destes estoques também resultam na desvalorização dos produtos vendidos, uma vez que os consumidores poderão encontrá-los a preços muito mais acessíveis do que o pretendido.

Vale destacar, aliás, que este problema não afeta apenas a Green Ronin. No mínimo uma dezena de editoras entraram com processos judiciais contra a Diamond (seja individualmente ou através de um processo em grupo).

Uma batalha judicial

A Green Ronin Publishing viu-se obrigada a entrar com uma ação judicial para tentar reverter a situação. Para arcar com os custos do processo, a editora criou uma vaquinha digital. Apesar de contar com títulos consagrados em seu catálogo (e vários deles comercializados no Brasil, aliás, como Mutantes & Malfeitores e The Expanse RPG), a Green Ronin é uma editora pequena, quando comparada com outros grandes estúdios de jogos.

Você pode apoiar a editora através do GoFundMe. Neste momento, a vaquinha da Green Ronin angariou US$ 36.200. A editora deseja arrecadar US$ 40.000 para cobrir os custos do processo.

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