
Com mais regras do que sua versão anterior!
Uma boa notícia para os fãs da Kobold Press. A SRD do RPG da editora, Black Flag Roleplaying, tornou-se ainda mais completa. E agora você ainda possui mais segurança ao usá-la, uma vez que o documento está disponível sob licença Creative Commons!

Lista de conteúdos
O que é o projeto Black Flag?
O projeto Black Flag Roleplaying (Bandeira Negra) antecedeu Tales of the Valiant, RPG de mesa da editora estadunidense Kobold Press. Seu nome deriva de uma ação de revolução, cuja história é um pouco longa, mas que tentaremos resumir aqui.
A Kobold Press é um estúdio de RPG de mesa, que recebeu fama nos últimos anos por suas publicações de Dungeons & Dragons 5ª Edição. Apesar de publicar aventuras e cenários de campanha, a editora destacou-se no desenvolvimento de bestiários. O Tome of Beasts é o primeiro e mais famoso bestiário publicado pela editora — publicado em português, aliás.
A Kobold Press só foi capaz de produzir estes materiais devido à Open Game License, licença de jogo aberto que permite que as regras de Dungeons & Dragons 5ª Edição possam ser reutilizadas por outros entes da indústria de RPGs.
A Open Game License

Em dezembro de 2022, a Wizards of the Coast anunciou tentativas de mudanças para a licença Open Game License (ou apenas OGL). A Open Game License foi criada no início do século, nos primórdios da terceira edição de Dungeons & Dragons.
Esta licença foi pioneira ao permitir que autores, criadores de conteúdos e editoras pudessem utilizar as regras de Dungeons & Dragons em suas publicações. A SRD (System Reference Document), outro documento, listava tudo o que poderia ser reaproveitado. A ideia é que estas entidades possam utilizar estas regras como base para as suas próprias criações.
Um exemplo para não nos estendermos tanto: a classe Guerreiro de Dungeons & Dragons 5ª Edição possui três subclasses no Livro do Jogador. Contudo, apenas uma subclasse faz parte da SRD: o Campeão.
Em janeiro de 2023, alguns vazamentos mostraram algumas das medidas dracônicas que a Wizards of the Coast pretendia tomar com a nova versão da SRD.
Algumas das propostas incluíam a revogação da licença caso o criador desenvolvesse materiais considerados problemáticos utilizando a licença, cobrança de royalties de grandes editoras, a revogação da licença original e o impedimento de utilizar a licença para produzir outras mídias — o jogo eletrônico Solasta: Crown of the Magister, por exemplo, não poderia ser produzido com esta nova licença.
A Kobold Press tomou a iniciativa, sendo pioneira ao criar uma nova iniciativa para contra-atacar a Wizards of the Coast. E este era o Black Flag Roleplaying!
Vale destacar, por fim, que a Wizards of the Coast desistiu das alterações propostas para a Open Game License. Mas o estrago já estava feito, e hoje em dia, são poucas as publicações que utilizam a outrora lendária licença — mas que hoje é apenas um grande reflexo da ganância corporativa.
Agora sim: o que é o Black Flag Roleplaying?

Black Flag Roleplaying é uma iniciativa de RPG de licença aberta, tão permissiva quanto a antiga Open Game License. A Black Flag, que logo tornou-se Tales of the Valiant, utiliza a quinta edição de Dungeons & Dragons como base do jogo, com algumas variações aqui e ali, de acordo com os feedbacks fornecidos pela comunidade da Kobold Press ao longo do ano de 2023.
Apenas para que fique claro: Black Flag Roleplaying é o conjunto de regras, enquanto Tales of the Valiant é o RPG de mesa derivado das regras do Black Flag Roleplaying.
Logo, se você está familiarizado com D&D 5ª Edição, você também estará acostumado com Tales of the Valiant!
Mas devemos destacar que o Projeto Black Flag conta com suas diferenciações em comparação com a versão 2014 do RPG mais jogado do mundo. Aqui, por exemplo, não temos uma lista de magias por classe — em vez disso, ele separa magias entre Arcanas, Divinas, Primitivas e Planares.
As armas também possuem propriedades especiais (similar ao Weapon Mastery de D&D, mas desatrelado de um talento). Aqui, entretanto, você deve escolher se aciona a habilidade da arma ou causa dano em seus ataques.
O que mudou na SRD?

Se você acompanha o Joga o D20, sabe que, na verdade, a SRD de Tales of the Valiant foi publicada há mais de um ano atrás. O que muda da edição de 2024 para esta versão é a forma como ela está disponível para a comunidade.
Como mencionamos acima, a SRD significa System Reference Document, mas não explicamos exatamente o seu intuito. Este documento apresenta todas as regras que podem ser reutilizadas por outros entes. Normalmente, a SRD conta com todas as regras necessárias para jogar, mas apresenta conteúdos limitados de customização — a ideia é que você desenvolva novos conteúdos.
Existem exceções, contudo: a SRD de Daggerheart, por exemplo, conta com todos os conteúdos do Livro de Regras!
Destacamos, por fim, que é possível jogar um RPG apenas utilizando sua SRD.
A SRD de Tales of the Valiant agora está disponível através da licença Creative Commons 4.0. A licença Creative Commons é universal, aberta e irrevogável, impedindo que a comunidade erguida pela Kobold Press sofra dos mesmos problemas da Wizards of the Coast com a OGL. Logo, a Kobold Press (ou qualquer outro ente) não possui qualquer dispositivo legal para revogar ou alterar a licença.
Mas não é apenas isso: esta edição da SRD do projeto Black Flag conta com mais conteúdos!
A nova versão conta com novas regras específicas para GMs (Game Masters, ou simplesmente Mestre), como, por exemplo, regras para determinar a atitude padrão de um NPC, regras para ameaças ambientais, armadilhas, doenças e maldições!
Com estas adições, a SRD de Black Flag Roleplaying conta com 408 páginas. Você pode fazer o download da SRD através do link a seguir.
Os comentários da Kobold Press
Finalmente, a seguir, você pode ler, em português, os comentários da Kobold Press sobre a adição da licença Creative Commons em Black Flag Roleplaying:
A licença Creative Commons permite que qualquer um use modifique e publique seu próprio material derivado do Black Flag Roleplaying (BFRP), portanto que a atribuição devida seja dada. A Kobold Press acredita que este é um passo significativo em direção a fortalecer editoras terceiras, game designers e fãs para criar, de forma segura, novas mecânicas de jogo e conteúdos sem ter incertezas legais.
A BFRD baseia-se no Documento de Referência do Sistema para D&D 5E, lançada pela Wizards of the Coast sob a mesma licença CC BY 4.0. Esta base criou uma estrutura legal para mecânicas de jogo, e agora o BFRP oferece a mesma clareza e liberdade criativa para a comunidade Black Flag.
“Isso é sobre criar portas para criadores”, disse o criador da Kobold Press, Wolfgang Baur. “Ao licenciar o BFRP através da licença Creative Commons, estamos fornecendo uma base legal sólida — uma na qual é compatível com como as pessoas atualmente constroem, compartilham e jogam RPGs de mesa.”
Comentário da Kobold Press no anúncio oficial da nova SRD para Black Flag Roleplaying.
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