Dungeons & Dragons: entenda as mudanças estruturais na franquia!

Um novo líder assumiu a marca!

Após a saída da vice-presidente da franquia, Jess Lanzillo, da Wizards of the Coast, a editora responsável pelo maior RPG do mundo estava à deriva de lideranças. Jess Lanzillo agora terá o papel de mudar a história da franquia Mundo das Trevas (World of Darkness), ajudando jogos como Vampiro: A Máscara e Lobisomem: O Apocalipse a alcançar diferentes mídias.

Mas o que será da Wizards of the Coast?


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Agora, temos a resposta desta pergunta!

A nova estrutura da franquia Dungeons & Dragons

Dan Ayoub Dungeons & Dragons
Dan Ayoub é o novo líder da franquia!

Dan Ayoub, executivo que atuou na Microsoft por 11 anos (especialmente com a franquia Halo) e Certain Affinity (estúdio que atuou nas franquias Call of Duty, Doom, Halo e Hogwarts Legacy), assumiu a liderança da franquia Dungeons & Dragons. O executivo chegou na Wizards of the Coast em 2022, sendo seu cargo anterior de Vice-Presidente de Jogos Digitais.

E em seu LinkedIn, o executivo apresentou o novo modelo de negócios que adotará para a franquia Dungeons & Dragons.

“…O que houve hoje? Nós alteramos nossa estrutura interna e D&D agora adota o modelo de franquia. Isso significa que tudo que permeia a franquia — livros, videogames, filmes e TV — agora vivem sob um único teto. O impacto disso não pode ser subestimado: isso é enorme para D&D e permitirá uma abordagem forte, coordenada e financiada para a franquia, e mais importante: para nós, os fãs.

Parte da publicação de Dan Ayoub no LinkedIn

O que isso significa, afinal?

Heroes of Faerûn Dungeons & Dragons
Karlach participará do primeiro livro de D&D dois anos após sua publicação!

Antigamente, as ações da franquia não eram coordenadas: os setores da empresa não possuíam conexões que permitiam integrações entre os diferentes produtos da franquia, criando ações de curto e longo prazo que ajudariam a expandir o alcance de Dungeons & Dragons. Baldur’s Gate 3, por exemplo, tornou-se o melhor jogo de 2023. Contudo, as demais áreas da Wizards of the Coast que trabalham com a franquia não estavam prontas para integrar os conteúdos do jogo em outras mídias.

Você entenderá o porquê disso no final da publicação.

Não é preciso muito esforço para entender esta falta de integração: a primeira personagem de Baldur’s Gate 3 a figurar em um livro de RPG será Karlach, que estará presente em Forgotten Realms: Heroes of Faerûn. O livro chegará às lojas em novembro de 2025 — a editora demorou três anos para finalmente integrar o conteúdo do jogo em outras mídias relacionadas com Dungeons & Dragons.

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Mas desde então, muita água passou por debaixo da ponte: a Larian Studios (estúdio responsável por Baldur’s Gate 3) não trabalha mais em conjunto com a Wizards of the Coast, o jogo não mais está com o hype da época e mesmo a edição de Dungeons & Dragons em que Baldur’s Gate 3 se baseia sofreu diversos ajustes com sua versão 2024. Em um mundo globalizado onde timing é tudo, a Wizards of the Coast colocava-se em uma situação onde ela sempre estava atrasada.

Com a palavra, os antigos funcionários

Você não entendeu como essa estrutura funcionava? Mike Mearls, game designer da quinta edição da franquia Dungeons & Dragons, e Ray Winninger, ex-líder do estúdio Dungeons & Dragons, explicaram um pouco sobre a estrutura da empresa até então.

Pergunta de um membro da comunidade no EnWorld: Eu li o comunicado algumas vezes e ainda não compreendi o que ele quer dizer com “modelo de franquia”, como isso se diferencia da forma como eles faziam isso no passado e como isso vai me impactar como consumidor.

Mike Mearls

Mike Mearls
Este é Mike Mearls, o cara que criou todo o conceito da quinta edição de D&D!

O modelo de franquia é como as coisas costumavam ser entre 2014 e 2020. Um grupo dirigia D&D e trabalhava com os licenciados para a criação de seus conteúdos.

Se você jogou Baldur’s Gate 3, você poderá notar que eles se basearam muito na lore presente em Volo’s Guide to Monsters, Mordenkainen’s Tome of Foes e na gazeta de Baldur’s Gate presente em Descent into Avernus. Este é o modelo de franquia em questão.

Nós literalmente escrevemos orientações de design para a Larian e eles inseriram isso em produtos de D&D. A teoria básica é que um DM e um designer narrativo (de Baldur’s Gate 3) pudessem fazer o mesmo trabalho, mas em uma escala diferente. O que é bom para um é bom para o outro.

Palavras de Mike Mearls em um tópico no EnWorld

Ray Winninger

Ray Winninger Dungeons & Dragons
Tal como Dan, Ray Winninger já atuou na posição de “rosto” da franquia!

Mensagem da comunidade: Eu não entendi o que isso significa, mas vindo da Hasbro, eu espero o pior.

Eu traduzirei.

Até então, a marca D&D era gerenciada através de pedaços menores, com cada um deles mantidos por líderes sênior diferentes.

Durante minha estadia como Produtor Executivo e Líder do Estúdio D&D, fui responsável pelos RPGs de mesa (como negócio e na área de criação) e pelo desenvolvimento criativo de IP (propriedade intelectual) relacionadas com D&D (Forgotten Realms, Ravenloft, etc). As áreas de Videogames (tanto licenciamento quanto desenvolvimento interno), “Entretenimento” (shows de TV, filmes, romances, quadrinhos) e “Produtos de consumo” (vários itens licenciados como roupas, brinquedos, livros que não são romances e tais) eram cada uma delas gerenciadas por outros grupos. Os quatro grupos colaboravam, claro — os especialistas do estúdio de RPG eram frequentemente convocados para orientar outros grupos, por exemplo — mas no fim do dia, cada grupo tocava seu próprio negócio como bem entendia.

Após minha saída, minhas responsabilidades, bem como o recém-adquirido D&D Beyond e a área de negócios de Entretenimento foram consolidados na figura de uma vice-presidente (VP) sênior de D&D. Agora, tudo relacionado com D&D — as quatro áreas, juntas — estão consolidadas na figura de um único VP, sendo considerado um único negócio.

O que isso significa para os fãs de D&D? Na teoria, isso permite ao novo VP planejar e executar iniciativas “para toda a franquia”. Geralmente, você veria uma nova ênfase em produtos de D&D em múltiplas categorias, com cada produto promovendo os demais. Talvez algo como “2027 é o ano do Strahd”, e existiriam produtos do Strahd em todas as antigas quatro categorias. Este é apenas um exemplo simples, mas há várias possibilidades. Ou talvez você verá a Wizards of the Coast tentando amplificar a popularidade de um cenário ao fornecer suporte agressivo a ele, através de videogames e outros produtos licenciados. Isso é algo bom? Talvez! Há pros e contras neste novo modelo de “franquia” e o antigo modelo “de isolamento”.

Eu não assumiria que a forma como os produtos de RPG são criados irá mudar. Esta não é a área de especialidade do novo VP. Mas, claro, nunca sabemos.

Explicação de Ray Winninger sobre o novo modelo de negócios da marca Dungeons & Dragons.

Isso quer dizer que o antigo modelo era ruim?

Não exatamente. Ray Winninger forneceu maiores detalhes sobre alguns dos problemas que enfrentou no papel de líder da franquia.

Pergunta da comunidade: Na estrutura anterior, o que impedia que os diferentes pedaços do negócio trabalhassem em direção às iniciativas estabelecidas pela franquia?

Nada impedia, mas nada o exigia também. Os quatro grupos frequentemente colaboravam entre si, mas apenas em iniciativas em que todos concordavam que eram os melhores interesses para os seus negócios. Vamos dizer que a equipe de Entretenimento estivessem realizando ações de promoção para convencer um estúdio de TV a produzir uma série televisiva de Dragonlance. Eles poderiam perguntar para o grupo de RPG para programar um ou mais produtos de Dragonlance, tornando sua proposta mais atrativa. Sendo assim, o grupo de RPG era livre para fazê-lo ou não, baseado no que entendiam que era melhor para o negócio de RPG.

Na minha experiência, colaborações ambiciosas que cobrem uma franquia inteira são quase impossíveis de serem sucedidas. Entretenimento, Videogames e produtos de RPG — todos os produtos destas áreas exigem grande tempo de produção, e a programação de Entretenimento e Videogames são particularmente erráticas. As pessoas imaginam por que nós não tínhamos um produto de Baldur’s Gate pronto para ser lançado quando a Larian lançou o videogame, ou por que não havia um produto de Stranger Things completo quando a Netflix lançou a nova temporada. Para fazer isso, nós precisaríamos saber a data de lançamento de Baldur’s Gate 3 (BG3) ou a temporada de Stranger Things com 18 a 24 meses de antecedência, e isso é praticamente impossível. As datas de lançamento de Baldur’s Gate 3 e a mais recente temporada de Stranger Things literalmente foram postergados por anos até que fossem lançados. A Wizards of the Coast, na verdade, tentou atrelar um lançamento de um RPG com BG3 — Descent into Avernus. Ele foi lançado anos antes da Larian finalmente ter concluído o jogo. Também há a questão de se faz sentido ou não estender um dos poucos espaços no calendário de D&D para alocar este tipo de produto, mas essa é uma discussão mais longa).

Há formas de mitigar alguns destes problemas, mas são soluções caras.

Você pode conferir mais interações de Mike Mearls e Ray Winninger na publicação original, disponível no fórum EnWorld!

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