
Se é uma Fera falante, agora ela é um Celestial!
O último livro básico a ser lançado para a edição 2024 de Dungeons & Dragons será o Monster Manual (2024). O lançamento ocorrerá na próxima semana (18 de fevereiro, para ser específico). Durante este período de pré-lançamento, a Wizards of the Coast está gravando vídeos com os designers que trabalharam no livro, explicando algumas das mudanças pelas quais o livro passou!

O entrevistador Todd Kenreck se reuniu com Jeremy Crawford (designer de regras das edições 2014 e 2024 de Dungeons & Dragons 5ª edição) e F. Wesley Schneider (game designer da Wizards of the Coast, responsável por Dragonlance: Shadow of the Dragon Queen) para discutir as mudanças que ocorreram com o tipo de criatura Celestial!
O que é um Celestial?
Uma criatura que se enquadra no tipo Celestial é aquela cuja origem está relacionada com o eixo superior dos Planos Exteriores. Os dezesseis Planos Exteriores estão posicionados de acordo com o eixo de tendências que rege o multiverso — o que chamamos de A Grande Roda.

Quanto mais próximo do topo do círculo, mais próximo do eixo Bom um plano está. Por outro lado, quando mais abaixo no círculo, mais próximo do eixo Mau está aquele plano. Hades, Gehenna e Carceri, por exemplo, estão na parte mais inferior dos Planos Exteriores. Monte Celestia, a casa das divindades, não está no topo dos Planos Exteriores, como você poderia imaginar, mas entre os eixos Bom (topo) e Ordem (esquerda).
Os eixos esquerda-direita do círculo definem Ordem e Caos de um plano — em um extremo, temos Mechanus, lar dos Modrons e lugar de extrema ordem e organização, enquanto do outro, temos o imensurável e irreparável Limbo.
Dessa forma, criaturas Celestiais possuem ao menos uma fagulha do poder divino. Anjos, Coaults e Unicórnios fazem parte dessa lista.
Contudo…

Como você pôde ver em nossas últimas publicações, grande parte das mudanças presentes no Monster Manual estão ligadas com os tipos das criaturas. A maioria das criaturas anteriormente conhecidas como Humanoides agora pertencem a outros tipos. Goblins, por exemplo, agora são Feéricos. Gnolls são Ínferos. O Povo do Mar é Elemental e por aí vai.
Contudo, essa mudança possui pouquíssimos efeitos mecânicos. Isso porque há poucos efeitos no jogo que interagem com o tipo da criatura. A magia Enfeitiçar Pessoa, por exemplo, deixa de afetar muitas das criaturas que, em outrora, sofreriam dos efeitos da magia. Por outro lado, algumas das magias sofreram alterações para evitar conflitos futuros. Magias de cura, por exemplo, agora recuperam Pontos de Vida de Constructos e Mortos-Vivos.
Isso porque é possível, em um futuro próximo, termos personagens que pertençam a estes tipos de criatura — tudo por conta da reorganização dos tipos de criaturas. Logo, esta restrição, presente na edição 2014 de D&D 5ª edição, precisou ser removida.
Aumentando o leque…
Isso posto, vamos entender as mudanças nos Celestiais. Em primeiro lugar, Jeremy Crawford destaca que haviam poucos Celestiais na edição 2014 do Monster Manual. Essa categoria limitava-se apenas aos anjos e algumas poucas criaturas adicionais. Por conta disso, a reorganização de tipos de criaturas tratou de adicionar novas criaturas para este outrora seleto grupo.
Um problema surgiu com a criação do Animal Lords, uma nova criatura Celestial. Sendo basicamente uma Fera com traços humanoides e originada das Terras Ferais, um dos planos superiores, fazia sentido a criatura ser tipificada como um Celestial.

Contudo, para que esta mudança estivesse de acordo com o estabelecido para outras criaturas, a Wizards of the Coast precisou trocar o tipo de vários seres anteriormente conhecidos como Feras. As Feras que agora fazem parte do tipo Celestial são aquelas que possuem a capacidade de falar, como a Águia Gigante, o Alce Gigante, bem como outras criaturas que compartilham desta característica. Ainda, estes seres possuem suas origens atreladas às Terras Ferais.
Esfinges também fazem parte do novo grupo de Celestiais
E expandindo o leque
A adição de novas criaturas Celestiais não se dá apenas pelo rearranjo de criaturas já existentes. Na edição 2024 do Monster Manual, a Wizards of the Coast se esforçou para entregar criaturas com Níveis de Desafio (NDs) variadas, permitindo que o Dungeon Master (DM, ou simplesmente Mestre) crie campanhas inteiramente baseadas em um único tipo de criatura.
Para isso, a editora responsável pelo maior RPG do mundo desenvolveu variações de criaturas já existentes. O Empírio, por exemplo, é uma criatura de ND 23 que representa um humanoide que recebeu poderes divinos, seja por ser filho de uma divindade ou por ter algum tipo de relação com divindades. Mas e se um Empírio estivesse começando a notar a fagulha divina dentro de si? Ele não deveria ter ND 23, certo?
Por conta disso, Dungeons & Dragons agora conta com a criatura Empírio Iota, um Celestial de ND 1 que recebeu limitada autonomia por parte das divindades que o infundiram com o toque divino.

O Empírio, aliás, é uma das criaturas de Dungeons & Dragons que possui dois tipos diferentes. Sendo filho de divindades, é possível que esta divindade, na verdade, seja um Ínfero — Asmodeus é um exemplo de divindade que se enquadra nesta categoria. Por isso, um Empírio pode ser tanto um Celestial, como um Ínfero, e o bloco de estatísticas deixa claro esta versatilidade.
A Esfinge também conta com uma variação mais fraca, intitulada Sphinx of Wonder. Essa criatura está presente no 2024 Player’s Handbook, e pode ser uma opção de companheiro para o grupo de personagens.
Mais celestiais!
Lembra-se dos Animal Lords que mencionamos anteriormente nesta publicação? Esta é uma criatura de ND 20, criada com o intuito de cobrir vãos entre os NDs das criaturas celestiais. A sua ficha, aliás, é gigantesca: a criatura possui “apenas” sete opções de ações!
Anjos (pra quem tem fé)

A presença de Anjos no Monster Manual era um assunto complexo até então. Sendo criaturas teoricamente bondosas, um DM não possuía muitos motivos para usá-los em uma aventura — no máximo, você os usaria como aliados do grupo de personagens.
Contudo, os designers do novo Monster Manual fizeram questão de destacar que os anjos não enxergam o alinhamento da mesma forma que seres mortais. Ainda, nem sempre estas criaturas são bondosas, possuindo seus próprios planos e motivações.
Para enfatizar a natureza “não tão bondosa” destas criaturas, a equipe de design tomou o cuidado de modificar as descrições destas criaturas, de forma a destacar a pluralidade de pensamentos e papéis destes seres. Há até mesmo tabelas para que o DM se inspire a adicionar estas criaturas na narrativa, seja para levantar debates entre a criatura e o grupo de personagens ou até mesmo embarcar em um conflito armado.
Ainda, estas criaturas estão normalmente envolvidas com embates entre o bem e o mal. Mas por que elas não engajam no conflito diretamente, usando mensageiros (como o grupo de personagens) para cumprir seus objetivos? Agora, o texto de cada um destes seres explica o porquê destas criaturas optarem por agir através destes meios!
Zariel, por exemplo, é um dos anjos que tentou engajar-se diretamente no combate contra os ínferos. Você pode entender mais sobre seu desfecho em Baldur’s Gate: Descida ao Avernus!
A fagulha divina
Ainda, a direção de arte do livro adicionou detalhes nas artes dos Celestiais para destacar sua origem divina. Esfinges, por exemplo, possuem asas criadas a partir da chama divina. Já a crina dos Unicórnios imita as cores do arco-íris. As penas de um Pégaso possuem detalhes que se assemelham com nuvens e por aí vai.

Outras mudanças
Finalmente, destacamos outras mudanças citadas no livro:
- A ficha dos Unicórnios recebeu um aumento significativo em suas estatísticas e ações lendárias. Ele continua sendo um excelente aliado, mas caso você esteja do outro lado do conflito, você sofrerá (bem) mais para derrotá-lo. Aliás, o Unicórnio é uma das criaturas lendárias do jogo de menor ND — é interessante usá-los como uma espécie de “antagonistas” de uma aventura!
- Os três tipos de anjos possuem novas ações lendárias. As ações lendárias que permaneceram da edição 2014 de D&D estão mais fortes.
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para a dupla Queer tudo em nome da representatividade….
[…] nossa publicação sobre os Celestiais (que você pode ver aqui, aliás), destacamos que são considerados Celestiais todas as criaturas originadas dos Planos Exteriores, […]
A ilustração do Empírio tá com cheiro de IA, basta olhar os cabelos e os símbolos flutuantes ao redor…
80% desse livro é IA nas artes